Outubro 17 2011
Percebo muito pouco de Arquitectura, o que quer dizer que não percebo nada. No entanto, considero a obra de Antoni Gaudi verdadeiramente genial. Para quem não sabe, ele foi um arquitecto e, entre muitas outras coisas, foi responsável pela construção da igreja da sagrada família em Barcelona, ou melhor, foi responsável pela sua construção até um autocarro o ter mandado ir visitar a tal sagrada família, e com direito a permanência. A igreja da sagrada família ficou assim interminada, como um exemplo de algo que começou e não teve final, que prometeu mas não cumpriu. A morte prematura do seu criador impediu que víssemos o resultado final da sua obra, no entanto o que foi feito foi suficiente para percebermos a genialidade do poema em forma de pedra que estava a nascer. Agora olhando para as nossas vidas, quantas vezes passámos por situações destas (não estou a falar obviamente de sermos atropelados por autocarros em excesso de velocidade)? Quantos "unfinished business" temos nas nossas memórias? Quando olhamos para o nosso percurso são exactamente essas as estórias que mais nos custam a esquecer, são esses os momentos mais difíceis de ultrapassar. Poucas questões há de tão difícil resposta como o terrível "e se?". Somos dados a balanços, são inevitáveis mais cedo ou mais tarde. O que lixa todo o nosso esquema de "checks and balances" que nos mantém no equilíbrio é que sabemos intrínsecamente que tudo podia ser diferente se a montante tivéssemos tomado outra decisão, se tivéssemos analisado as circunstâncias de outra maneira. Mas por vezes, talvez até a maior parte delas, nem só de nós depende o desfecho do que vai ocorrendo, por vezes além dos nossos erros e indecisões ainda temos que contar com erros e indecisões de outros. E é precisamente quando fugimos a encarar a realidade que deixamos "unfinished businesses" atrás de nós, quando para evitar enfrentar um problema e resolvê-lo adiamos ad aeternum apenas na covarde esperança que ele desapareça com o tempo. No fundo, imitamos o autocarro que numa tarde em Barcelona levou Gaudi e com ele a esperança de ver a sua obra prima terminada, o pior é que este autocarro figurativo não dá a paz da morte, dá-nos apenas a dúvida do que poderíamos ter conseguido se ao menos ...
publicado por Nicolae Santos às 11:45

Outubro 17 2011
17 de Outubro foi um dia importante ao longo da História. Por exemplo, em 539 AC Cyrus, o Grande (não estou da falar de sexo) invadiu a Babilónia e libertou os Judeus de 70 anos de escravidão que, como se sabe foi causada pelas políticas de José Sócrates. Muitos anos mais tarde, em 1660, foram executados os 9 regicidas que atentaram contra a vida de Carlos I, rei da Inglaterra. O cérebro que organizou o atentado, José Sócrates, conseguiu fugir à justiça. No século seguinte mais dois acontecimentos muito importantes na guerra de independência americana, em 1777 os ingleses são derrotados na batalha de Saratoga e em 1781 rendem-se em Yorktown, o que terminou com a guerra tendo os americanos vencido. Como é sabido, em ambas as batalhas foi o desempenho miserável do General José Sócrates que conduziu ao resultado das mesmas. Já no século XX, em 1931 Al Capone foi condenado por fuga ao fisco. A justiça americana nunca o conseguiu condenar por homicídio nem sequer por contrabando devido à prestação medíocre do promotor público José Sócrates, que foi o responsável pelo processo. Finalmente no ano 2000 ocorreu um dos maiores desastres de sempre nos caminhos de ferro britânicos. Em Hatfield o maquinista José Sócrates adormeceu enquanto brincava com um portátil pequenino azul bébé e causou o acidente.
publicado por Nicolae Santos às 10:35

Outubro 10 2011

"A Geologia é a ciência do tempo e da pressão" diz Red a Andy no filme "Os condenados de Shawshank". Para um leigo, a definição nem está má de todo, apenas incompleta. De facto é verdade que passando o tempo certo e aplicando a pressão correcta, uma rocha se pode metamorfizar e dar origem a outra rocha completamente diferente, parece interessante, mas acreditem que não é.

Deixando para trás esta introdução geopatologicamente chata, este ano estou a trabalhar a 3 km de uma das minhas terras preferidas no Algarve, Ferragudo. Há locais em que tudo parece natural, como se a presença humana fosse um suave prolongamento da paisagem natural, Ferragudo é assim. Deitada sobre o rio, desenhada nas suas margens esta povoação parece sempre ter existido, parece que sem ela nem o próprio rio faria sentido. Tem a alma própria das terras que viveram do mar e tem o glamour de quem aprendeu a conviver com o turismo. Ferragudo é como uma orquestra em que todos os instrumentos se juntam para fazer sentido. Terras há que nos dão apenas a sensação de ruído, aqui não. Entre as esplanadas e os largos, os restaurantes da marginal estacionados em frente aos barcos de pesca, das casas que vestem a colina ao velhinho forte de S Julião, aqui se algo existe é uma sinfonia de côr e de silêncio que nos desperta os sentidos. Em Ferragudo não devia existir luz, nem escuridão. Apenas penumbra. Aqui devíamos estar sempre no pôr do sol, ou na madrugada. Nesse "tempo entre os tempos" de que os Celtas falavam, nessa mistura etérea entre dois extremos, em que ambos se encontram, se amam e se devoram numa vastidão efémera de tempo. Esta terra foi feita para ser amada, ou para se amar nela. Para nos entregarmos na ânsia de nos perdermos, de nos perdermos na esperança de nos reencontrarmos.

Ferragudo está separada de Portimão por um acidente hidrogeológico chamado de rio Arade, mas muito mais do que um rio, há um mundo que as separa. Portimão é claramente uma daquelas construções humanas que de tão imponente quase faz esquecer o ambiente natural que lhe serviu de substrato, em Ferragudo é a imponência do ambiente natural que torna passageira qualquer intervenção humana. Ferragudo já existia antes de ser construída, e, um dia, muito depois da nossa passagem, continuará lá, só podemos mesmo é agradecer o privilégio de a poder disfrutar.

"A Geologia é a ciência do tempo e da pressão" disse Red a Andy no filme "Os condenados de Shawshank". Para um leigo, a definição nem está má de todo, apenas incompleta. Red não sabia que por vezes a Geologia se entretém a fazer poesia. Ferragudo e a foz do rio Arade são um exemplo claro disso.

publicado por Nicolae Santos às 12:12

Outubro 09 2011

Acordei com pressentimento de quem perdeu,
Amargo sabor de estado desejado,
Inalcançado.
Sentimentos cruzados num labirinto fechado
... Qual fervor imaterial que pereceu.
Partiste musa minha,
Alicerce de meus devaneios poéticos,
Âncora de amor querido,
Partiste pelos caminhos da realidade,
Rompendo a magia de flashes de felicidade.
Te encontrar não preciso,
Existes no meu sangue
Circulas em mim em espirais eternas
Que florescem em renovadas primaveras.
Quem te perdeu...não sei, sei que não fui eu.
Emílio Casanova

publicado por Nicolae Santos às 21:32

Outubro 07 2011

O assunto é recorrente e recentemente voltou às páginas dos jornais através de dois dos mais inenarráveis políticos deste tubo de ensaio em forma de país, Alberto João Jardim e Isaltino Morais. Um, como é sabido, comprou vitórias eleitorais em barda com dinheiro que não era dele e construiu numa Região Autónoma um poder feudal, com a complacência de inúmeros governos da República, outro meteu-se em esquemas e falcatruas a mais para serem reportados em qualquer texto que eu ambicione escrever em menos de 364 horas. Em comum, não só foram eleitos, como reeleitos vezes sem conta, como ainda são defendidos pelos seus eleitores para lá de qualquer fronteira higienicamente aceitável.

Muitos tentam explicar como isto é possível, eu, como não gosto de os repetir, e como a minha indigência me leva muitas vezes a fugir de explicações complexas, o que tenho a dizer é que estes fenómenos são possíveis porque temos uma atitude futebolística perante o poder local. É incrivel como o mesmo povo que julga na mesa de café qualquer suspeita que se abate sobre qualquer figura pública nacional, e julga sumariamente, sem ver provas, sem dar direito a recurso, e muitas vezes pedindo a pena de morte, quando toda ao político da sua terra tudo é diferente. Não há razão que seja válida, não há argumento que mereça discussão. Os outros são todos ladrões, mentirosos, corruptos e tudo mais o resto, os nossos, até o podem ser, mas como são nossos ai de quem os ataque.

Isto caros(as) leitores(as) é uma reacção tipicamente futebolística, o nosso clube é sempre o melhor e nunca perde por culpa própria. Infelizmente esta irracionalidade saiu do campo do desporto onde é natural (ninguém me tente provar ou convencer que ser Benfiquista não é a maior de todas as virtudes desportivas da galáxia) e contaminou a nossa forma de olhar para os políticos da nossa terra, o que explica a permeabilidade das eleições locais aos discursos mais populistas que se ouvem no país.

O exemplo de Oeiras, da Madeira bem como de outros locais, associado à extinção do IGAL promete tempos perigosos à nossa frente.

publicado por Nicolae Santos às 10:57

Outubro 07 2011

E pronto, a pedido de várias famílias, o Despistagens regressa, agora numa nova casa. Sejam bem vindos!

publicado por Nicolae Santos às 10:43

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