Fevereiro 29 2012

Todos temos direito a um ou outro preconceito de vez em quando. Tem é que ser mesmo
de vez em quando e, acima de tudo, temos que ter perfeita noção que estamos a ser
preconceituosos e assim evitar agir apenas de acordo com essa nossa forma irracional
de ver as coisas. Há quem tenha preconceitos étnicos, religiosos, políticos, futebolísticos,
etc, etc, há muito por onde escolher. O meu preconceito é contra pessoas altas. Não
gosto, pronto! O que querem que eu faça?
Sei que têm tanto direito à vida como os outros, não me passa pela cabeça defender
que percam direito ao voto nem à pouca solidariedade social que ainda existe, apesar
de encarar com simpatia a ideia de lhes banir a entrada nos cinemas, mas a realidade
é que sempre nutri muito maior simpatia por pessoas baixas. Não transmitem aquela
arrogância natural de quem se acha melhor por ver mais longe, aliás, os baixos
reflectem na perfeição a velha máxima de Newton: "Vi mais longe não por ser um
gigante, mas por estar sentado nos ombros de gigantes". Até esteticamente os(as) acho
desengonçados(as) e, consoante a altura até mesmo disformes. Gosto de mulheres
baixinhas, de preferência até 1,65m se bem que podem ir até 1,70m, quanto aos homens,
até 1,85m é saudável, a partir daí só para postes de electricidade, aliás, se o nosso
corpo tivesse evoluído para atingir alturas próximas dos 2,00m aposto que vínhamos com
elevadores incorporados.
Antes que comecem a pensar que me passei de vez vou directo ao assunto deste
texto, o tamanho não é assim tão importante. Estamos tão habituados a ver o mundo
à nossa escala que não é nada incomum esquecermo-nos que a escalas diferentes
também existe vida, aliás, existe muito mais vida que aquela que os nossos olhos estão
habituados a ver. Algures no século XVIII um holandês de nome Lewenhook usou parte
dos seus tempos livres para construir um aparelho que permitisse ampliar a sua visão
por forma a ver coisas que não era capaz de ver à vista desarmada. Esse aparelho foi
o primeiro microscópio rudimentar e enquanto observava todo contente as pequenas
células da cortiça não sabia mas estava a lançar as primeiras pedras de uma nova
ciência, a Microbiologia. Tal como em inúmeros outros exemplos ao longo da história, o
desenvolvimento tecnológico abriu portas ao conhecimentos científico e a Microbiologia,
desde o microscópio de Lewenhook não mais parou de crescer (eu sei que o jogo de
palavras foi irónico). De um momento para o outro passámos a saber que estamos
acompanhados por seres vivos, pequenos demais para serem vistos, em todos os
momentos das nossas vidas. No texto anterior falei-vos da nossa típica presunção de
acharmos que somos o melhor que há porque temos um cérebro e de vez em quando
até o sabemos usar. Ora bem, em relação ao tamanho somos tão ou mais presunçosos.
A filosofia típica é que o que não se vê não interessa para nada, os micróbios são uns
mariquinhas que só servem para matar com sabonetes e com umas cenas que cheiram a
álcool e ai deles que se metam no nosso corpo porque se chateiam muito tomamos um ou
dois antibióticos e adeus que já se foram. Nada mais falso! Aliás esta ideia está tão longe
da realidade que seria apenas infantil, se não fosse de facto imbecil.
Quer acreditem quer não, e deviam acreditar porque eu não vos minto, no nosso
corpo existem mais bactérias que células nossas. Há muitas formas diferentes de

microorganismos, não só bactérias, no entanto é nelas que me vou focar porque se vos
falar de todos este texto fica muito grande e aposto que vão acabar por partilhar o meu
preconceito em relação ao tamanho.
Para vos falar em bactérias tenho antes de tudo que vos ensinar uma palavra nova sem a
qual nunca as compreenderão verdadeiramente, a Ubiquidade. Traduzindo para
Português corrente quer dizer algo tão simples como estar em todo o lado. E acreditem
que é o que acontece, as bactérias estão em todo o lado. Este planeta é delas e não
nosso, aliás, elas andam por cá praticamente desde o início da vida e, um dia daqui a uns
5.000 milhões de anos quando o Sol estoirar num último estertor de paixão e de morte,
elas assistirão ao espetáculo sentadas na primeira fila muito, muito tempo depois da
nossa espécie se ter extinto. Pensem no pior ambiente possível para qualquer ser vivo,
imaginem a aplicação terrena do pior dos infernos pensado, sonhado ou temido e lá
encontrarão bactérias a fazer uma festa, quer tenham sido convidadas quer não. Com ou
sem oxigénio presente lá estão elas, por vezes respirando, outras vezes fermentando,
aquela que para nós é uma condição essencial de sobrevivência, para muitas delas não
passa de um luxo facilmente dispensável. Se formos a ambientes extremos de acidez
onde o mais intragável dos sumos de limão nos saberia a leite creme, lá estão elas de
novo, se visitarmos outros ambientes de temperatura extrema, continuaremos a encontrá-
lãs, o que aconteceu por exemplo nas zonas de Rift, ali mesmo ao lado de intrusões
magmáticas na crosta oceânica. Podemos ainda mergulhar ao fundo das mais fundas
fossas submarinas, onde a pressão é um destino e não uma força física. A nove ou dez
quilómetros de profundidade onde essa pressão poderia esmagar um submarino médio e
reduzi-lo ao tamanho de uma noz, que seres vivos vocês esperariam lá encontrar?
Exactamente, bactérias! Como podem ver, quando vos falei na ubiquidade não estava a
exagerar. Se as três religiões mais representativas no nosso planeta tiverem razão e se
existir de facto um deus omnipresente, lamento informar-vos mas então deus é uma
bactéria. Em relação ao nosso corpo a brincadeira é ainda mais interessante. Pensem
numa pessoa normal como vocês com um conceito saudável de higiene pessoal. Quando
se cruzarem com ela na rua ou nos corredores da escola imaginem agora o trilião de
bactérias que ela transporta, apenas na sua pele. Pois é, 100.000 bactérias por
centímetro quadrado de pele é um número bonito e uma estimativa não longe da
realidade. Que raio fazem elas na nossa pele poderão perguntar, é simples, alimentam-
se. Soltamos todos os dias biliões de folículos que resultam da perda sistemática de
células mortas da nossa pele, isto já para não falar dos muitos óleos riquíssimos em sais
minerais que saem dos poros do nosso corpo, o que lhes serve de alimento. Para elas
somos o correspondente à praça da alimentação de um qualquer shoping center. Mas
não acaba aqui, não é só na pele que as podemos encontrar. Elas estão a nadar
contentes e divertidas no fluído que cobre os nossos olhos, estão nos nossos cabelos,
escondidas em recantos do nossos corpo que muitas vezes não nos lembramos que
temos. Dentro do corpo o cenário repete-se. O nosso sistema digestivo está recheado de
incontáveis milhões de bactérias de cerca de 350/400 espécies diferentes. Sem sair da
boca podia contar-vos algumas estórias giras mas não quero reduzir o romantismo de um
beijo a uma troca de microorganismos entre duas pessoas por isso passemos à frente. Ao
longo de todo o tubo digestivo encontramos bactérias que nos ajudam a digerir nutrientes
para que o nosso corpo os possa absorver, outras estão lá para atacar outros

microorganismos indesejáveis que entram no nosso corpo pela boca, outras ainda estão
lá e pronto, simplesmente estão sem que se conheça a sua função, limitam-se a gostar de
nos fazer companhia.
Cada vez que pensamos em bactérias temos a tendência para as temer e para nos
recordarmos apenas das doenças que causam, o que é um disparate. As bactérias são
essenciais para a degradação do lixo que produzimos à velocidade da nossa capacidade
de consumo, são responsáveis pela reciclagem da matéria orgânica dos nossos dejectos,
mais importante ainda do que isso, graças a elas o azoto atmosférico é introduzido
nas cadeias alimentares e se isto vos diz pouca coisa lembrem-se que sem azoto não
existiriam aminoácidos, sem aminoácidos nada de proteínas e sem proteínas a vida seria
um tema de ficção cientifica, não sei escrito por quem porque não existiria ninguém para
o escrever. Continuando, já todos ouviram falar na importância das plantas e das florestas
na libertação do oxigénio que tanta falta nos faz, bem, pensem agora nos incontáveis
milhões de microalgas e cianobacterias que libertam para a atmosfera cerca de 150
biliões de quilos de oxigénio todos os anos, digam lá agora que elas são más!
Como é óbvio, há bactérias patogénicas, ou seja, que nos causam doenças, e ao longo
da história é impossível saber quantas pessoas morreram de doenças causadas por
bactérias, mas o que pode ser uma surpresas para vocês é a ínfima percentagem de
bactérias que nos podem fazer mal, menos de 0,1% das espécies conhecidas. Não
me vou alongar mais neste texto bacteriologicamente impuro, a questão das doenças
causadas por microorganismos fica para outra oportunidade. Quero terminar recordando-
vos o que disse no início, o tamanho não interessa para nada. Seres vivos microscópicos
e unicelulares que não vemos mas vivem connosco em cada sagrado segundo das
nossas vidas têm aos seus ombros (pelo menos teriam se tivessem de facto ombros) a
chave do equilíbrio da vida neste maravilhoso planeta. Aprendam a viver e a respeitar
essa ideia e nunca acreditem, nem por um momento, nos publicitários acéfalos que vos
prometem vender champôs, sabonetes e iogurtes 100% antibacterianos. Felizmente
para nós isso não passa de uma mentira imbecil porque as bactérias viveriam bem neste
planeta sem nós, nós no entanto não sobreviveríamos um dia sem elas.

publicado por Nicolae Santos às 11:51

Fevereiro 16 2012

 

Há algo de intrinsecamente trágico associado às estórias de amor. Não o podemos evitar, parece que faz

parte da receita. As estórias de amor que ficam para a história são aquelas que acabam mal, as que muito

prometem mas não são verdadeiramente cumpridas, aquelas que o destino se encarrega de estragar, para

que não seja a vida a estragá-lãs. Quem se lembraria de Romeu e Julieta se tivessem vivido felizes e

contentes para toda a eternidade?

A estória de amor sobre a qual escrevo é estranha e produziu resultados no mínimo contraditórios. Por um

lado, deu origem a uma matança inqualificável, por outro, mudou o clima e abriu portas para o triunfo de um

dos maiores erros da evolução. Mas vamos por partes.

É certo e sabido que todas as massas continentais em tempos estiveram juntas num só continente ao qual

se deu o nome de Pangea. No entanto, há cerca de 160 milhões de anos, mais milhão menos milhão, a

coisa saiu dos eixos e a Pangea fragmentou-se. Inicialmente o bloco continental do norte afastou-se,

posteriormente os dois continentes que resultaram também se fragmentaram. Serve isto para mais do que

vos maçar com Geologia, como devem ter calculado. Basta que pensem nas duas Américas, a do norte e a

do Sul. Depois de muitos anos juntas na Pangea separaram-se. É verdade que viviam numa espécie de

grande casa, com a família toda junta logo nunca tiveram espaço para muitas intimidades, mas a realidade é

que estavam próximas e por razões que só a tectónica de placas conhece, a sua relação terminou e cada

uma foi à sua vida. Foi assim durante cerca de 70 milhões de anos, o tempo durante o qual cada uma das

Américas viveu separada da outra. Não sei dizer o que sente um continente que vive afastado do seu

grande amor, bem vistas as coisas, nem sei bem o que sinto quando isso me acontece, o que sei é que ao

contrário de mim, que nem sempre fui capaz, as Américas deram um jeito e resolveram o problema. Há uns

anos atrás (coisa de meia dúzia de milhões) reaproximaram-se e entre elas levantou-se o istmo do Panamá

como uma espécie de carinho que as uniu de novo. E esta união mudou de facto o planeta e foi uma das

grandes responsáveis por ele ser como é hoje.

Completamente desinteressados das questões conjugais entre continentes, os seres vivos prosseguiram a

sua evolução. Depois do desaparecimento dos dinossauros os mamíferos viram-se livres de grandes

predadores e evoluíram de forma rápida ocupando e colonizando todos os ambientes. Uma questão é no

entanto bastante interessante, os mamíferos não funcionam todos da mesma maneira, há pelo menos dois

grandes grupos, e digo dois e não três porque estou arrogantemente a desconsiderar os monotrematos

(ornitorrincos). Temos mamíferos marsupiais e mamíferos placentários. Quais as diferenças? É tudo uma

questão da capacidade das fêmeas enganarem o seu próprio sistema imunológico. Eu explico. Com a vossa

idade não preciso de vos avisar que os bebés não nascem todos em Paris e são trazidos para casa por

uma cegonha, já sabem muito bem como é que nos reproduzimos. O que talvez não saibam é o que dá

origem ao parto. Não existe propriamente um cronómetro que marca a altura certa para ele ocorrer, o que há

é uma reacção do corpo da mãe contra o feto, reacção essa que resulta na sua expulsão (lamento mas o

amor maternal como o conhecemos está sobrevalorizado, pelo menos fisiologicamente). O nosso corpo tem

muitas formas de se defender de agressores externos. Para isso existem células especializadas em

reconhecer o que pertence ao nosso corpo e o que é estranho ao mesmo. Ora um feto a desenvolver-se no

útero da sua mãe, apesar de metade dos seus cromossomas serem dela, continua a ser um corpo estranho

que não lhe pertence. Durante toda a gravidez o sistema imunológico materno é enganado para não se

aperceber disto, mas mais cedo ou mais tarde ele dá conta da situação, sendo a reacção natural o inicio

das contracções no sentido de expulsar o corpo estranho que está há tempo demais a viver no útero sem

pagar a renda, é isto que dá origem ao parto. Voltando aos diferentes tipos de mamíferos, os marsupiais não

são capazes de enganar por muito tempo o sistema imunológico das mães, por isso nascem ao fim de

alguns dias, completando o seu desenvolvimento na bolsa materna, portanto já exteriormente ao corpo. Na

altura da união das duas Américas, a do Sul tinha uma vastidão surpreendente de marsupiais, talvez ainda

mais do que a Austrália. O facto de a América do Sul ser uma ilha/continente permitiu que eles se

desenvolvessem livres de grande competição com outros seres vivos. Ao contrário, a América do norte

estava recheada de mamíferos placentários bem habituados a uma competição feroz pela sobrevivência. O

istmo do Panamá fez de ponte e a América do Sul foi literalmente invadida por hordas de placentários

curiosos para conhecer o novo continente. O confronto era inevitável e o resultado mais do que previsível. A

quase totalidade dos marsupiais que viveram sossegados durante milhões de anos foi extinta às patas e às

mandíbulas dos seus primos afastados placentários. Durante muito tempo muita gente inteligente apresentou

como justificação o facto de os placentários serem mais desenvolvidos, justificação que eu contesto. Não

creio que exista uma questão de desenvolvimento associada a esta estória mas nós temos uma tendência

incrível para a presunção e, como somos placentários, nada como dizer que somos os melhores de todos e

que os marsupiais eram uns atrasadinhos e tiveram o que mereciam. Os mamíferos do norte estavam

adaptados a um ambiente mais hostil e com maior competição inter especifica e isso foi o que jogou a favor

deles. O desaparecimento dos marsupiais Sul americanos podou a árvore da vida de alguns dos seus ramos

empobrecendo a fauna do nosso planeta. Como podem ver, a estória de amor entre os dois continentes deu

origem a um massacre imenso na América do Sul.

Mas não ficamos por aqui. Longe, muito longe do istmo do Panamá esta reunião amorosa também

produziria alterações profundas. Durante o período em que as Américas estiveram separadas uma grande

corrente marítima vinda do pacífico levava água quente por entre as Américas em direcção a África. Esta

corrente era responsável por um clima em África muito diferente do que existe hoje em dia, da mesma forma

que a corrente do golfo é responsável pelas temperaturas temperadas da Europa ocidental. O clima africano

era então quente e húmido sendo propenso para a existência de inúmeras florestas. Com o levantamento do

istmo do Panamá essa corrente foi interrompida tendo o clima africano mudado radicalmente. De quente e

húmido passou a quente e seco, tendo essa mudança resultado no aparecimento de desertos e de savanas,

em lugar das antigas florestas. Qual a importância disto? Digamos apenas que não me daria jeito nenhum

estar a escrever-vos isto sentado em cima de uma árvore.

A alteração climática africana fez com que um grupo de primatas irrequietos e com uma visão magnífica

fosse obrigado a adaptar-se a um ambiente subitamente diferente. As coisas aconteceram de forma lenta e

progressiva e não pensem por um só momento que foi como seguir um guião previamente escrito. Muitas

pessoas insistem em pensar na evolução como uma linha direita em direcção à perfeição, o que é uma

asneira. Aliás se a evolução funcionasse assim nós não estávamos aqui. Somos, na minha opinião, um

conjunto de disparates evolutivos que acabaram por funcionar. Os nosso antepassados adoptaram a

postura bípede, e ainda hoje sofremos por isso. O corpo deles, e o nosso também, não estava nem está

completamente preparado para caminhar sobre apenas dois membros. Para começar, a nossa bacia mudou

e assumiu uma posição vertical. Pode parecer pouca coisa mas voltando atrás aos partos, foi uma chatice

incrível, principalmente quando se é mulher e se pretende ter filhos. A alteração anatómica da bacia

estreitou o espaço para o desenvolvimento do feto e o parto passou a ser um processo bastante doloroso

(lamento desiludir-vos mas a culpa não foi da Eva como diz a bíblia). Como se não bastasse, nenhum crânio

completamente formado consegue passar pela vagina de uma mulher, nem na máxima dilatação

humanamente possível. Por esse facto temos a conhecida moleirinha nos bebés, que não é mais que a

ossificação incompleta do crânio. As nossas crias nascem frágeis e dependentes de cuidados maternos

nos primeiros tempos da sua vida o que cedo levou a uma estratificação social em que as mulheres ficavam

a cuidar das crias enquanto que os homens se dedicavam à caça e à defesa da tribo (se alguém se atrever

a concluir que defendo que hoje isso deve acontecer vai haver violência física entre nós). Não foi só a

postura erecta a contribuir para aqui estarmos, como é óbvio, mas foi um dos primeiros saltos evolutivos.

Do alto da nossa presunção por muito tempo pensámos que o nosso maravilhoso cérebro tinha sido o

primeiro grande salto, tendo a capacidade para falar, para andar de pé, para produzir e utilizar objectos

surgido depois. Asneira!!! Vou contar-vos um segredo, o nosso lindo e maravilhoso cérebro é uma linda e

maravilhosa chatice. Consome 20 a 25% dos recursos energéticos do nosso corpo e em caso de

subnutrição, os nossos órgãos desligam-se um por um para o manter. Nesses primeiros tempos um cérebro

demasiadamente grande teria sido um desastre e posso garantir-vos que se não tivéssemos passado a

omnívoros o nosso cérebro não teria atingido as dimensões que atingiu, a quantidade de energia necessária

para o manter é enorme. Toda a evolução que conduziu até nós foi um processo tortuoso e a prova que

somos um acidente que correu bem é por exemplo o facto de todas as espécies de hominídeos terem

desaparecido menos a nossa, incluindo o Homem de Neanderthal, com os seus cérebros bem maiores que

os nossos.

Como podem ver, uma estória de amor entre dois continentes, ainda que figurativa, deu origem a um

massacre, provavelmente o maior desde a extinção do final do Cretácico, mudou o clima de outro continente

e abriu caminho à evolução da nossa espécie. Se as Américas voltarem a ter um arrufo e se separarem que

acontecerá? É provável que a corrente se restabeleça e que a África volte a ter o seu clima antigo de volta,

no entanto os marsupiais extintos não voltarão e é extraordinariamente improvável que nós voltemos para

cima das árvores, apesar das continuas dores nas costas, das hérnias e afins das quais sofremos por

carregar todo o peso do corpo em apenas dois membros. O que interessa é que compreendam que somos

passageiros numa viagem cujo destino não conhecemos, somos uma linha num pequeno capitulo de um

grande livro que é escrito entre o acaso e a necessidade, como disse Monod. Este planeta não é nosso,

nunca o foi nem será, é apenas a casa que dividimos com milhões de outras espécies de seres vivos,

muitas das quais já cá estavam quando os nossos antepassados tinham como grande evento social das

suas vidas catarem-se uns aos outros.

Divirtam-se e aproveitem a viagem.

publicado por Nicolae Santos às 13:13

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