Março 03 2017

Uma das primeiras medidas da tragédia que passou a viver na Casa Branca foi a denúncia unilateral dos acordos de comércio internacionais, medida essa veementemente apoiada por Bernie Sanders, o lunático pelo qual grande parte do meu partido se apaixonou (a parte lunática, é bom que se diga).

Eu vou por partes, que desta vez tem que ficar tudo bem explicadinho antes que os paleoesquerdistas comecem a espumar de raiva.

Um - O comércio livre beneficia a sociedade no geral, ao invés do proteccionismo, que criando benefícios pontuais a determinados sectores da economia, prejudica a sociedade no geral;

Dois - O comércio livre dá-nos acesso a mercadorias produzidas noutros pontos do globo mais baratas. O acesso a mercadorias com preços mais acessiveis diminui a inflacção e aumenta o nosso poder de compra. O proteccionismo impede o acesso a bens mais baratos, prejudicando em primeiro lugar quem ? Exacto, as classes mais desfavorecidas. Os esquerdalhos que rosnam contra o comércio livre, sabendo ou não (provavelmente não porque a cognição é-lhes estranha), estão a atacar a capacidade que os mais pobres têm em ter acesso a bens e/ou serviços;

Três - O comércio livre contribui para a paz e para o fim das guerras. Se os estados lucrarem mais com o comércio que com as guerras pela predação de recursos naturais, escolherão o comércio em vez da guerra;

Quatro - O comércio livre reduz as diferenças sociais. Já expliquei que o acesso a bens/serviços mais baratos beneficia as classes mais desfavorecidas. Agora pensemos mais longe que apenas as classes sociais, pensemos a nível planetário. O comércio livre melhora as condições de vida nos países menos desenvolvidos. A fábrica da Apple na Indonésia pode pagar 2 euros por dia ao infeliz que faz o iPhone para o betinho esquerdista que é contra a exploração do homem pelo homem mas quer o gadget da moda, o mais barato possível para não ter que pedir dinheiro ao papá. Agora esse infeliz ao receber 2 euros por dia para fazer brinquedos para esquerdistas britânicos ou gregos está a ganhar 5 ou 10 vezes mais que o seu rendimento a plantar arroz. A deslocalização de empresas para países em desenvolvimento tem aumentado os rendimentos dos seus operários e diminuído a diferença entre países ocidentais e todos os outros, que graças a nós foram descobertos, explorados e colocados no terceiro mundo;

Conclusão - O comércio livre é um dos marcos civilizacionais mais importantes ao longo da história. A livre troca de bens e serviços acompanhou a evolução, porque também correspondeu à livre troca de ideias. Quem se recorda da origem dos termos esquerda e direita sabe que na Assembleia Nacional francesa, os progressistas que queriam mudanças se sentavam à esquerda e os conservadores que queriam manter o antigo regime se sentavam à direita. Que hoje muitos partidos que se dizem de esquerda sejam na realidade conservadores enquistados em previlégios profissionais u classistas, não me surpreende. Que camaradas meus endeusem figuras cadavéricas enquistadas no cimento que deu cor ao muro de Berlim, e demagogos de sarjeta como Sanders, Corbyns, Hamons, Tsipras e quejandos, já me choca um bocado. Que se tente reverter um dos maiores avanços da nossa civilização, como o comércio livre, será tão útil como o miúdo daquela história holandesa que tentava tapar o buraco do dique com o dedo mindinho. O regresso ao proteccionismo traria inflacção, perda de poder de compra que afectaria exactamente os mais frágeis.

Todo o processo de construção europeia foi feito com uma agenda de progresso económico, paz social, livre circulação de pessoas, bens e serviços. Se acham que foi mal feita expliquem onde e quais as alternativas, no meu ponto de vista atacar a liberalização e defender o proteccionismo não chega para me convencerem. Adoro viajar a 20€ com a Ryanair e estou - me cagando para a origem dos meus sapatos, desde que os possa comprar a 25€ em vez de ser a 60€. Se querem defender Corbyns e Sanders defendam-nos, mas esse combate ideológico eu travarei. Porque estou neste partido há 25 anos e na sua carta de princípios diz que somos um partido progressista da família socialista/social-democrata, não diz que somos proteccionistas, isolacionistas, conservadores. Eu sei o que li quando entrei, enquanto não o mudarem continuarei.

publicado por Nicolae Santos às 13:50

Março 03 2017

O Conselho de Finanças Públicas é um organismo independente do poder político que tem várias resonsabilidades, entre as quais acompanhar a execução orçamental e avaliar o cenário macroeconómico proposto pelo Governo. Sendo um organismo independente, as opiniões reflectem uma avaliação técnica, e não política, que, digo eu, deve ser respeitada pelo que é, e não entendida pelo que não pode ser. Gosto de Teodora Cardoso, mesmo que nem sempre concorde com ela, agora a linguagem milagreira de ontem foi um disparate que não lhe estou habituado a ouvir. É suposto que existam regras de civilidade e cuidados com a linguagem vindos do patamar mais elevado da sociedade, eu sei que isto é elitista mas azarito. Teodora sabe muito bem que não existiu milagre nenhum nas contas públicas de 2016. Ela sabe tão bem como sabem todos os que olharam para as contas com olhos de ver e viram de facto o que aconteceu. A estratégia macroeconómica proposta pelo PS em campanha e no Governo falharam, ao falhar Mário Centeno fez a única coisa que um político responsável pode fazer quando percebe que errou, em vez de insistir no erro, corrigiu o rumo e atingiu o resultado. Nunca vou compreender o problema que a esmagadora maioria dos políticos em exercício de funções têm de assumir erros. Os resultados orçamentais de 2016 provam que temos um Ministro das Finanças que sabe e consegue inverter rumos e obter resultados, confio muito mais em homens destes que em alucinados que ao caminharem contra um muro insistem em testar a sua textura com a ponta do nariz.

Não houve milagre algum. Houve um corte no investimento de cerca de 950 M€, uma reavaliação de activos que rendeu outros 125 M€, muitas cativações que somadas andaram pelos 450 M€ e o programa PERES que rendeu mais 500 M€, tudo junto, entre receitas não previstas e despesas previstas e não efectuadas andamos pelos 2.000 M€. Se os adicionarmos ao défice, andávamos pelos 3,1% ou 3,2%, quase o valor que Passos Coelho disse no Parlamento, a diferença é que Passos Coelho, sendo idiota, explicou tudo mal e levou nas orelhas por isso. Segundo o não se sabe como ainda líder do PSD, o Governo conseguiu o valor de défice com receitas extraordinárias. Ora, uma receita extraordinária, se as poucas noções de economia que tenho não estiverem erradas, é uma receita irrepetível, género uma privatização que depois de feita num ano não pode voltar a ser feita. Todas estas receitas resultaram de opções políticas do governo, logo podem ser ou não repetidas. O Governo em 2017 pode continuar a congelar investimento, pode continuar a insistir nas cativações, o PERES prevendo pagamentos a 11 anos não é receita extraordinária coisíssima nenhuma. Passos Coelho não errou muito os valores mas como percebe tanto de economia como eu errou na justificação, tal como Teodora Cardoso, que percebe muito mais de economia que eu, sabe o que quis dizer mas fê-lo como se estivesse sentada numa bancada de um estádio de futebol. Se queria dizer que o Governo obteve os excelentes resultados que obteve recorrendo a opções políticas dificeis de repetir, devia tê-lo feito. Como Keynesiano que gosta de investimento público gostava de ver o debate sobre um Governo socialista congelar o investimento como o fez. Teodora ou faz o que deve, ou sai de onde está, mandar piadas de caserna fica-lhe mal e não serve para nada, a não ser para o Presidente fazer uma figura ainda mais triste ao assumir dores que não são suas. Como garante de imparcialidade Marcelo não pode atacar a Presidente do Conselho de Finanças Púbicas, que é um organismo independente.

Toda esta parvoíce para mim foi só apenas mais um exemplo de uma situação em que toda a gente esteve mal. Não sei como conseguiram, mas acredito que se tenham esforçado muito.

publicado por Nicolae Santos às 10:44

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