Abril 10 2017

Para quem não teve o privilégio de ler o livro de Robert Louis Stevenson "O estranho caso de Dr Jekyll e Mr Hyde", o mesmo é sobre um caso de dupla personalidade, entre o nobre e socialmente aceite Dr Jekyll e o psicopata Mr Hyde. Basicamente, ambas as personalidades correspondiam à mesma pessoa, que variava entre uma e a outra tornando quase impossível para os outros saberem com quem estavam a lidar a cada momento.

Vem isto a propósito de quê ? Do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, como é óbvio. Desde a criação da Geringonça que estes partidos me têm surpreendido. A sua conversão à necessidade de existirem contas públicas controladas foi algo que nunca esperei, a paz social que, via CGTP, impuseram a um país cuja carga fiscal é décimas diferente do "brutal aumento de impostos" de Vítor Gaspar foi outra novidade que não esperava. Resumidamente, em termos nacionais as esquerdas da esquerda têm-se comportado como autênticos Dr Jekylls, são parceiros dedicados e confiáveis. O problema vem com as estruturas locais, ou com os seus dirigentes quando falam para estruturas locais. Aí a sua natureza de Mr Hydes vem ao de cima e o vendaval de disparates é igual a sempre. Por exemplo, aqui no Algarve há duas situações emblemáticas, as portagens na Via do Infante e as demolições na Ria Formosa. Ao mesmo tempo que, em Lisboa, apoiam tudo o que emana do Governo, cá em baixo não se cansam de exigir mais e mais, não se fatigam de dizer às pessoas que estão contra o que é feito. A questão fulcral e fundamental é que o que é feito é-o com o seu apoio, e com o seu voto favorável. Se para a muleta esquerda do governo fosse essencial acabar com as portagens no Via do Infante, isso teria constado das suas exigências quando da assinatura do acordo de governo. Se a posição deles fosse mesmo impedir qualquer demolição nas ilhas barreira, já o teriam apresentado com ultimato a um António Costa que tem a necessidade suprema de ver os seus orçamentos aprovados.

PCP e BE jogam neste distúrbio de multipla personalidade, não por serem parvos mas por habilidade política pura. O objectivo é claro, passar uma imagem de responsabilidade a nível nacional enquanto que localmente mantêm no seu eleitorado a ideia de que são contra e por vontade deles fariam diferente. Nada é aprovado contra a vontade deles, e se o PS não começa a explicá-lo clara e taxativamente deixará que eles colham os louros das conquistas e fujam com o rabo à seringa dos escolhos da governação. Local, regional e nacionalmente temos que começar a dizer que estamos todos no mesmo barco e todos são responsáveis pelo rumo. Para o melhor e para o pior. Não nos peçam é para pagar localmente por uma estratégia clara de desresponsabilização e demagogia. Com os Drs Jekylls eu consigo lidar e conversar, não me peçam é para me sentar à mesa com Mrs Hydes.

publicado por Nicolae Santos às 09:40

Abril 07 2017

A Guerra civil americana começou em Abril de 1861. Onze estados do Sul saíram da União e formaram os Estados Confederados da América basicamente porque achavam era fixe ter pretos de estimação, tal cmo cães, gatos, ovelhas, cavalos, etc, etc. Os Estados Unidos não acharam piada nenhuma, apesar de estarem tão preocupados com os escravos como com a exploração dos anéis de Saturno. Como não reconheceram a independência dos ECA os EUA mantiveram as suas bases militares no território qe agora passara a ser um país diferente. Os Sulistas, para reforçar a sua independência abriram fogo sobre  Forte Sumpter e depois de uma noite inteira de bombardeamento, sem vítimas a não ser umas valentes enxaquecas, a guarnição Unionista rendeu-se e foi transportada com honras de estado até Washington. Poucas guerras começaram de forma tão civilizada, é trágico que posteriormente se tenha transformado no que acabou por ser.

Durante o primeiro ano existiram essencialmente escaramuças entre os exércitos de ambos os contendores, e até as maiores batalhas ocorridas provocaram relativamente poucas baixas e terminavam com um exército a fugir e o outro a libertar os prisioneiros mediante a assinatura de um compromisso de honra de como não voltariam a lutar. Tudo mudou nos dias 6 e 7 de Abril. O exército do Tennessee, liderado por Ulysses S Grant tinha invadido esse estado confederado e estava acampado perto de Pittsburg a fazer  que quer que os exércitos acampados fazem. Dia 6 pela madrugada o exército do Mississippi liderado pelo melhor general confederado da altura, Albert Sidney Johnston foi fazer-lhes uma visita de cortesia armado até aos dentes. Começou então a batalha de Shiloh. Os confederados apanharam os unionistas de surpresa e deram-lhes tanta porradinha que só não fugiram até à fronteira do Canadá porque tinham um rio nas costas e não o conseguiram atravessar. No meio da confusão, Albert Sidney Johnston levou um tiro e morreu por envenenamento agudo de chumbo, o seu sucessor Pierre Beauregard era um idiota. Aliás, ele ficou para a história da guerra civil por dois motivos, por ser o gajo que abriu fogo contra o Forte Sumpter e por ser um dos mais incompetentes generais confederados. Voltando à acção, a milímetros da derrota completa, total e definitiva dos unionistas, Beauregard cancela o ataque porque o seu exército está cansado. Passou a noite, Grant recebeu 5 divisões inteiras de reforço do exército do Ohio e na manhã seguinte quando Beauregard foi obrigado a atacar pelos seus subordinados, atacou um exército quase duas vezes superior e foi sovado de forma impiedosa.

O balanço da batalha de Shiloh foi dramático para os confederados. Perderam todo o oeste do Tennessee e a conquista do Mississippi ficou aberta para Grant. O pior nem foi isso, quanto mais depressa os confederados perdessem, melhor. O pior foi que pela primeira vez em toda a guerra uma batalha assumiu dimensões de chacina. Estiveram em combate perto de 110.000 homens, dos quais cerca de 25.000 não viram o nascer do sol do dia seguinte. Até Shiloh os exércitos travaram escaramuças e pequenas batalhas com a convicção que estavam a desempenhar um papel secundário numa confusão criada por políticos e que seria resolvida mais cedo ou mais tarde. Depois de Shiloh ficou claro que seria uma guerra sem quartel, que o Sul nunca se renderia e teria que ser conquistado estado a estado. A batalha de Shiloh matou mais gente que todas as batalhas travadas nos Estados Unidos juntas. Durante 5 meses exibiu esse título, depois veio Antietam e a matança foi ainda maior, mas uma batalha de cada vez.

publicado por Nicolae Santos às 12:09

Abril 07 2017

O rei Henrique I de Inglaterra teve um filho e uma filha, o puto era  o Guilherme, a miúda a Matilde. Além de rei de Inglaterra, era duque da Normandia, tem a ver com aquela cena de o pai, Guilherme, o  conquistador, ter como duque da Normandia ter conquistado o reino de Inglaterra aos saxões em 1066. Bom, adiante, um dia em 1120 o filho Guilherme morreu quando o barco naufragou e isso colocou a Matilde na linha de sucessão real. A Matilde já era casada com outro Henrique, o Henrique V que era Sacro Imperador Romano Germânico. O papá fez da filhota herdeira, as cortes aplaudiram, a filhota enviuvou, o papá morreu, tudo coisas previsíveis na idade média.

Quando ia ser coroada rainha de Inglaterra, o primo Estevão decidiu, empurrado pela Santa Madre Igreja, que queria ser rei, o que iniciou o período chamado de A Grande Anarquia. Estevão tinha um exército, Matilde não, logo ele ocupou o trono e ela fugiu. Matilde não tinha um exército, mas tinha uma vagina. Casou com um príncipe de Anjou cujo nome não estou nem perto de me lembrar, e esse príncipe tinha um exército. E assim passaram 14 anos de olímpica bordoada entre eles. Matilde e um meio irmão deram porrada a Estevão, ocuparam Londres mas nas vésperas da coroação de Matilde os londrinos revoltaram-se e ela fugiu outra vez. Enquanto o maridinho se divertiu a conquistar a Normandia para o lado dela, ela e o meio irmão continuaram o festival de sangria contra o primo Estevão. Umas vezes ganharam, outras vezes perderam, no fim o filho dela, Henrique II, acabou com a festa e sucedeu ao usurpador sendo coroado rei. No final da confusão, Henrique II ficou , não só rei de Inglaterra e de Gales, como também duque da Normandia e herdou todos os territórios da casa de Anjou na França. Passados 200 anos, quando a guerra dos 100 anos teve origem, o rei Inglês era na prática dono de quase metade do território francês, o que foi uma consequência da grande anarquia e do segundo casamento de Matilde.

A heroína desta estória essa nunca foi rainha de Inglaterra. Ficou conhecida como a Senhora dos ingleses porque, apesar de ter sido governante nunca foi coroada. Hoje faz 864 anos que assumiu o poder.

publicado por Nicolae Santos às 11:05

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