Junho 22 2016

Está tudo em polvorosa. O sr Aveiro, capitão da selecção nacional, pegou no microfone de um jornalista da CM TV, tirou-o das mãos e atirou-o a um lago, enquanto ele lhe colocava uma questão.

Muitos riram-se, alguns criticaram, muitos mais do que seria saudável, aplaudiram. O que me deixou atónito em toda a questão foi a quantidade de pessoas que acharam a situação normal, menor ou negligenciável. Para ser sincero, mais do que atónito o que me deixou assustado foi a quantidade de pessoas que conheço, com as quais achava partilhar uma base suficientemente estava para militar no mesmo partido político, que aplaudiram a situação.

Não restem dúvidas, abomino do fundo dos intestinos o Correio da Manhã. Para mim representa tudo o que é escarrável no conceito de "comunicação social popular". O CM desistiu há muito de qualquer papel que pudesse ter na dignificação de um dos actos mais nobres numa democracia, a responsabilidade de informar os cidadãos. O CM, mascarado nessa nobre tarefa limita-se a servir numa bandeja de prata o que considera satisfazer os instintos mais primários desses cidadãos, o crime de alguidar, a insinuação de sarjeta, a perseguição pessoal/política que atrai audiências. A estratégia corre-lhes bem, são o amontoado de papel com letras que mais vende (não, não tratarei aquilo como Jornal). Por assustador que pareça esse facto diz mais sobre as pessoas que consomem imprensa escrita do que sobre o amontoado de papel com letras escritas que publicam. Poucas coisas podem definir melhor um povo do que a quantidade de pessoas que consomem imprensa escrita e qual a imprensa escrita que é consumida.

Dito tudo o que anteriormente disse, e voltando ao essencial, qualquer acção ou inacção que conduza ou promova qualquer forma de limitação à capacidade dos jornalistas exercerem a sua função é, em si só, execrável e abjecta. Seja a censura redactorial a uma peça jornalística, a violência verbal/física sobre um jornalista, a ameaça de violência sobre um jornalista ou o impedimento de um jornalista exercer a sua profissão em liberdade e segurança, estamos na presença de um ataque à liberdade de imprensa, e, mesmo quando falamos do CM, estamos na presença de um ataque a todos nós.

Não tenho qualquer simpatia sobre o trabalho feito naquela casa, não tenho nenhuma admiração pelos jornalistas que executam aquela filosofia de comunicação social, muito menos simpatia tenho pelo grupo empresarial que os mantém naquela linha editorial em função da liderança nas vendas e patrocínios. Uma coisa sei, quando alguém tiver o poder de os condicionar, terá, mais cedo ou mais tarde, o poder de decidir quem publica o quê, quando, em que circunstâncias e contra quem. E nunca serei capaz de considerar democrática uma sociedade onde isso aconteça.

Mais grave que a linha editorial do CM é se a atitude do sr Aveiro passar incólume. Se passar com o apoio de jornalistas e ditos "democratas", então em vez de grave é catastrófico. É sinal que a Senadora Amidala do Star Wars tinha razão quando dizia que "as Democracias caem ao som do aplauso das populações".

publicado por Nicolae Santos às 20:09

mais sobre mim
Junho 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
24
25

26
27
28
29
30


pesquisar
 
blogs SAPO