Janeiro 19 2018

Creio não estar a cometer nenhuma inconfidência se vos disser que o esqueleto tem como principal função a sustentação do corpo dos seres vivos. Tentando tornar isto resumido e  compreensível, vou deixar para trás o esqueleto hidrostático dos anelídeos, que não me interessa para marcar nenhum ponto de vista, e concentrar-me nos outros dois tipos, o exosqueleto e o endosqueleto.

Atendento aos prefixos, o exoesqueleto é exterior ao corpo e o endoesqueleto interior, até aqui tudo muito simples. O exoesqueleto dos artrópodes é constituído por uma cutícula ao mesmo tempo maleável e resistente, formada na maioria das vezes por quitina. Este exosqueleto fornece protecção aos órgãos internos e sustentação ao corpo, tem no entanto um grande problema, é limitador do crescimento. O corpo dos artrópodes para crescer, tem que largar o seu exoesqueleto (chama-se a isso ecdise) e reconstruir um novo, e durante esse processo ficam particularmente frágeis e vulneráveis a predadores. Com o endosqueleto a situção é completamente diferente. A sustentação do corpo passa para o interior do mesmo e a estrutura óssea cresce naturalmente ao logo da vida. O crescimento dos vertebrados é contínuo até à idade adulta e não passam pela vulnerabilidade dos animais que têm exosqueleto. Assim os artrópodes, por muito desenvolvidos que sejam, e são, nunca atingiram nada parecido com o tamanho dos vertebrados.

Por esta altura já se devem ter questionado sobre o que é que isto tem a ver com a Arquitectura. Obviamente que tudo, e não estou a falar da teoria do desenho inteligente. Na Arquitectura, também podemos pensar em termos de exosqueleto e endosqueleto. Pensem por exemplo nas catedrais românicas e nos arranha céus. As primeiras foram construídas com paredes grossas e robustas dada a sua função não só religiosa como também de defesa, era um autêntico exoesqueleto. O seu tipo de construção nunca permitiu que crescessem muito em altura, desta vez não por causa de predadores, mas por causa da inevitável força da gravidade. As suas primas góticas melhoraram bastante com a introdução de pilares internos, paredes mais leves e grandes vitrais que tornaram a estrutura mais leve. Ainda assim nem a mais alta de todas as catedrais pôde rivalizar com edifícios como as torres gémeas, Chrysler ou Empire State, e nem vou mais longe porque não me apetece sair de New York. Na construção dos arranha céus a sustentabilidade estrutural passou para dentro do edifício através da utilização do aço, que é ao mesmo tempo rijo e maleável e as paredes dos edificíos passaram a funcionar apenas como revestimento, logo, têm um autêntico endosqueleto, como os vertebrados.

Não estou obviamente a dizer que os arquitectos se inspiraram na evolução biológia para revolucionar a construção de edifícios, menos estarei ainda a dizer que existe o tal desenho inteligente que coloca a montante de tudo uma vontade divina. Não queria era deixar de partilhar a analogia, quanto mais não seja para esfregar nas vossas lindas carinhas a superioridade da Biologia em relação a qualquer coisa com a qual tenham perdido o vosso tempo a estudar :)

publicado por Nicolae Santos às 13:54

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