Março 03 2017

O Conselho de Finanças Públicas é um organismo independente do poder político que tem várias resonsabilidades, entre as quais acompanhar a execução orçamental e avaliar o cenário macroeconómico proposto pelo Governo. Sendo um organismo independente, as opiniões reflectem uma avaliação técnica, e não política, que, digo eu, deve ser respeitada pelo que é, e não entendida pelo que não pode ser. Gosto de Teodora Cardoso, mesmo que nem sempre concorde com ela, agora a linguagem milagreira de ontem foi um disparate que não lhe estou habituado a ouvir. É suposto que existam regras de civilidade e cuidados com a linguagem vindos do patamar mais elevado da sociedade, eu sei que isto é elitista mas azarito. Teodora sabe muito bem que não existiu milagre nenhum nas contas públicas de 2016. Ela sabe tão bem como sabem todos os que olharam para as contas com olhos de ver e viram de facto o que aconteceu. A estratégia macroeconómica proposta pelo PS em campanha e no Governo falharam, ao falhar Mário Centeno fez a única coisa que um político responsável pode fazer quando percebe que errou, em vez de insistir no erro, corrigiu o rumo e atingiu o resultado. Nunca vou compreender o problema que a esmagadora maioria dos políticos em exercício de funções têm de assumir erros. Os resultados orçamentais de 2016 provam que temos um Ministro das Finanças que sabe e consegue inverter rumos e obter resultados, confio muito mais em homens destes que em alucinados que ao caminharem contra um muro insistem em testar a sua textura com a ponta do nariz.

Não houve milagre algum. Houve um corte no investimento de cerca de 950 M€, uma reavaliação de activos que rendeu outros 125 M€, muitas cativações que somadas andaram pelos 450 M€ e o programa PERES que rendeu mais 500 M€, tudo junto, entre receitas não previstas e despesas previstas e não efectuadas andamos pelos 2.000 M€. Se os adicionarmos ao défice, andávamos pelos 3,1% ou 3,2%, quase o valor que Passos Coelho disse no Parlamento, a diferença é que Passos Coelho, sendo idiota, explicou tudo mal e levou nas orelhas por isso. Segundo o não se sabe como ainda líder do PSD, o Governo conseguiu o valor de défice com receitas extraordinárias. Ora, uma receita extraordinária, se as poucas noções de economia que tenho não estiverem erradas, é uma receita irrepetível, género uma privatização que depois de feita num ano não pode voltar a ser feita. Todas estas receitas resultaram de opções políticas do governo, logo podem ser ou não repetidas. O Governo em 2017 pode continuar a congelar investimento, pode continuar a insistir nas cativações, o PERES prevendo pagamentos a 11 anos não é receita extraordinária coisíssima nenhuma. Passos Coelho não errou muito os valores mas como percebe tanto de economia como eu errou na justificação, tal como Teodora Cardoso, que percebe muito mais de economia que eu, sabe o que quis dizer mas fê-lo como se estivesse sentada numa bancada de um estádio de futebol. Se queria dizer que o Governo obteve os excelentes resultados que obteve recorrendo a opções políticas dificeis de repetir, devia tê-lo feito. Como Keynesiano que gosta de investimento público gostava de ver o debate sobre um Governo socialista congelar o investimento como o fez. Teodora ou faz o que deve, ou sai de onde está, mandar piadas de caserna fica-lhe mal e não serve para nada, a não ser para o Presidente fazer uma figura ainda mais triste ao assumir dores que não são suas. Como garante de imparcialidade Marcelo não pode atacar a Presidente do Conselho de Finanças Púbicas, que é um organismo independente.

Toda esta parvoíce para mim foi só apenas mais um exemplo de uma situação em que toda a gente esteve mal. Não sei como conseguiram, mas acredito que se tenham esforçado muito.

publicado por Nicolae Santos às 10:44

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